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LENDAS

A LENDA DO CABEÇA DE CUIA

Era uma vez um pescador chamado CRISPIM,que certo dia ao voltar de uma infrutífera pescaria, cansado ao adentrar em seu casebre resmungou: - Quero comer! - Pronto  filho, só temos pirão e este corredor de boi.
E colocou a tigela de pirão com o corredor em uma improvisada mesinha.               Esta porcaria?   Irritou-se e arrebatou com o corredor na mão agredindo violentamente sua pobre mãe, que cai por terra agonizando: -Filho ingrato, eu te amaldiçôo: não terás o descanso eterno enquanto não devorares sete Marias virgens. Vagarás como morto vivo! 
 
Mas, pelo encanto ele não morre, transforma-se num ser horrendo, aquático. Sua aparência, deformada, cabeça grande, corpo esquelético o fez conhecer-se cabeça de cuia.   Daí por diante, sempre dizem que aparece nas cheias, virando canoas, assustando lavadeiras em sua busca frenética pelo descanso eterno, com a tentativa de cumprir a sina de devorar sete Marias virgens.

 

Lenda – India Intã - Morro Gemedor

 

A Índia Intã, uma linda jovem Tremembé descendente de Mandu Ladino, vivia na Ilha Grande de Santa Izabel, numa linda praia próxima a Pedra do Sal.

Intã amava a natureza,gostava de caminhar pela praia, bricando com a areia e as ondas que chegavam aos seus pés e num desses passeios encontrou desmaiado, um náufrago ,moço branco, de cabelos loiros, sua formosura deixou a Índia Intã encantada e apaixonada e, logo passou a chama-lo de Ará.

Consciente do perigo que corria caso fosse visto pela tribo,Intã resolveu esconde-lo, e escondeu seu príncipe , numa cabana distante, abandonada , e quando ele se recuperou os dois começaram a passar os dias se amando, envolvidos no maior romantismo e não perceberam,entretanto, a invasão das dunas, a arei que cobria a cabana, a cabana do amor, como poderia chama-la, a cabana desapareceu, foi coberta pela areia e, segundo a lenda a Índia Intã  continua a gemer nos braços de seu grande amor o seu príncipe Ará.

O lugar onde  o casal se abrigou foi soterrado e deu origem ao Morro Gemedor, e se você tem dúvidas sobre está historia,visite e tente subir, o Morro Gemedor que você ouvirá com certeza, os  “Ai” de amor de Intã e Ará.

 


O VAREIRO DE PARNAÍBA 

                Vareiro ou “porco d’água”, era uma figura típica do rio Parnaíba, que durante muitos anos se destacou em nosso Município, antes da navegação a vapor teve ele mesmo que gerar a força motriz necessária para acionar as primeiras embarcações, desde o Porto Salgado, até além, do curso médio, do rio Parnaíba, com o uso da vara de 4 braças, do cabo de espiada de manilha.
                Quando, nos dias de folga, o vareiro típico gostava de vestir calça de mescla ou riscado grosso, com camisa de listrinha azul e branco, exibindo sua musculatura de homem de sol, com talinge, nos braços, chapéu branco de abas curtas, viradas para cima e tamancos pesados, com rosto de sola ou pele de bode curtida e o cinto de sola grossa, com fivela de latão, era indispensável. Não esquecia a faca marinheira, embainhada, e cujo cabo destacava-se uma estrela de cinco pontas para combater “mandinga”. Sua arma era “cacete de jucá”, que sempre ficava na embarcação e, só usada quando ameaçados.

                Eles faziam a alegria do porto e da rua dos Barqueiros, na Quarenta.

                Com o crescimento do Porto Salgado, a navegação a vapor, em substituição aos pequenos e canoas, e a construção da ponte Simplício Dias, pouco a pouco, esta figura típica desapareceu de nosso Município, existindo apenas, em determinados trechos do rio, onde há carência de transporte. 


LENDA EM CANTO

 

Sete Marias

Precisa tragar

São sete virgens

Por encanto quebrar.

Rema pra margem

Oh! Velho pescador

Que na curva do rio

O monstro vai apontar.

Tem medo, oh! Maria

Que estás a lavar

O Cabeça de Cuia

Te pode tragar.

 

Quando o rio

Lua cheia desce

Cabeça de Cuia

Sempre Aparece.

 

Castigo tremendo

Que Deus lhe deu

Por bater na mamãezinha

Crispin lhe encantou

 

LENDA “NÃO SE PODE”

 

                Mulher que aparece, depois da meia-noite. Apresenta-se normalmente às pessoas para pedir cigarro e quando recebe vai crescendo... crescendo... até atingir a altura do poste, acende o cigarro, e, lá fica a fumar. Se algum lhe nega o cigarro ela tira seu único peito para tentar amamentar a pessoa, travando uma luta tremenda até maltratar bastante a pessoa. Logo depois, sempre vitoriosa, sobe ao poste e de lá desaparece.


LENDA DA MACYRAJARA

 

                Macyrajara era uma linda jovem de olhos amendoados e cabelos longos. Seu pai era o chefe Botocó da tribo dos Tremembés, que habitavam as terras da margem direita do Igaraçu até o mar.

                Macyrajara conheceu Ubitã, jovem guerreiro pertencente a uma tribo inimiga da sua, que habitava a planície litorânea. Os dois se apaixonaram e passaram a se encontrar às escondidas.

                O pai de Macyrajara tomou conhecimento e, discordando daquele amor, mandou prendê-la numa oca vigiada por sete guerreiros.

                Ubitã, louco de saudades, procurou em oração se aconselhar com o deus Tupã. E à noite, quando dormia, Tupã lhe disse que Macyrajara estava presa e que ele não fosse procurá-la porque podia morrer.

                O destemido guerreiro, levado pela paixão, não ouviu os conselhos de Tupã. E, ao anoitecer, saiu à procura de seu grande amor. Ao chegar próximo à oca, foi atingido no peito por uma flecha inimiga, tendo morte imediata.

                Macyrajara, ao tomar conhecimento da tragédia, saiu correndo e desapareceu na escuridão da noite. Três dias após vagar pelas matas, parou em um olho-d’água. Naquele momento, começou a chover, ela, então, cheia de dor e tristeza, começou a chorar. Ali suas lágrimas e a chuva se juntaram à aquelas águas que corriam.

                Tupã, apiedando-se dela, transformou suas lágrimas no rio que separou as duas tribos.

                Hoje, aquele rio chama-se Portinho e separa as terras de Luís Correia das de Parnaíba.

 

HISTÓRICO DE BOM JESUS DOS NAVEGANTES

 

            No dia 29 de junho, sem ano determinado, alguns pescadores da pequena Vila de Amarração encontraram na outra margem de sua baía,  numa ilha, a imagem que parecia a de Cristo, feita de madeira.

            Os pescadores levaram esta imagem ao então pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Padre Lula. Este juntamente com outras pessoas deram nome a esta imagem de “BOM JESUS DOS NAVEGANTES”

            O povo passou, desde então, a venerar com grande devoção o novo Santo, pois segundo relato de testemunhas da época estava concedendo muitas graças e até milagres.

             E assim, sua fama se espalhou por muitas localidades até as mais distantes e, por isto, a Paróquia começou a receber devotos de toda a região que assim demonstravam sua crença em Bom Jesus dos Navegantes. Daí surgiu novenas e um hino que até hoje é cantado com muito entusiasmo pelos paroquianos.

             A festa de Bom Jesus dos Navegantes começou a se realizar no dia 29 de junho, juntamente com a festa de São Pedro por este ter sido pescador e discípulo de Jesus.

              HOJE, Amarração já é emancipada com o nome de Luiz Correia. A ilha onde a imagem foi encontrada tem o nome de Ilha de Bom Jesus. Todo ano, no dia da festa acontece, com a participação de muitos pescadores e suas lanchas, uma grande procissão marítima.

               A imagem de Bom Jesus dos Navegantes continua na matriz  Nossa Senhora da Conceição, onde é cultuada e bem zelada pelos devotos paroquianos e visitantes.

 

 

 

HINO DE BOM JESUS DOS NAVEGANTES

 

Bom Jesus dos Navegantes, levai-me ao céu onde estais

Para que perpetuamente, ame a Deus a quem amar.

 

Entre luz, risos e flores

Sinceramente contritos

/:Festejamos como crentes

O Protetor dos aflitos:/

 

Separai o amor das mágoas

Assim nosso Bom Pastor

/: Levai-nos desta a outra vida

Pelos caminhos do Senhor:/

 

Aos tristes desconhecidos

Aos descrentes inconstantes

/: Mostrai-lhes um porto amigo

Bom Jesus dos Navegantes:/

 

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